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Usinagem de Metal Duro

Ferramentas de Metal Duro para Usinagem: Como Escolher Conforme o Material e a Operação

Entenda como escolher a ferramenta adequada para cada material, processo e condição de usinagem.

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A escolha das Ferramentas de Metal Duro é uma decisão importante em diferentes processos de usinagem, pois interfere diretamente na produtividade, na estabilidade do corte, na qualidade das peças produzidas e no aproveitamento dos recursos disponíveis na indústria. Mais do que selecionar uma ferramenta capaz de remover material, é necessário analisar se suas características são compatíveis com a peça, a máquina e a operação que será executada.

O metal duro é amplamente utilizado na fabricação de ferramentas destinadas a operações como torneamento, fresamento, furação, mandrilamento e acabamento. Sua combinação de dureza, resistência ao desgaste e capacidade de trabalhar sob temperaturas elevadas permite sua aplicação em diferentes condições de corte. No entanto, essas propriedades não significam que qualquer ferramenta de metal duro possa ser utilizada da mesma maneira em todos os materiais.

Uma ferramenta adequada para usinar aço, por exemplo, pode não oferecer o mesmo comportamento ao trabalhar com alumínio, aço inoxidável ou ferro fundido. O tipo de material influencia a formação do cavaco, a temperatura gerada na região de corte, o desgaste da aresta e as forças aplicadas durante a operação.

Além do material da peça, é necessário observar fatores como geometria da ferramenta, classe do metal duro, revestimento, velocidade de corte, avanço e profundidade de corte. A potência e a rigidez da máquina também precisam ser consideradas, principalmente quando são realizadas operações que exigem elevada remoção de material.

Outro erro comum é avaliar uma ferramenta somente pelo preço de aquisição. Uma opção aparentemente mais econômica pode apresentar menor vida útil ou exigir mais interrupções para substituição. Em contrapartida, uma ferramenta corretamente selecionada pode oferecer maior previsibilidade do processo e contribuir para reduzir tempos improdutivos.

Por isso, compreender as características das Ferramentas de Metal Duro e relacioná-las ao material e à operação é essencial para estabelecer um processo de usinagem mais eficiente e tecnicamente adequado.


O que são Ferramentas de Metal Duro e como funcionam na usinagem?

As Ferramentas de Metal Duro são produzidas a partir de materiais desenvolvidos para apresentar elevada dureza e resistência ao desgaste, características necessárias para suportar as condições encontradas durante a remoção de material.

Na usinagem, a aresta da ferramenta entra em contato com a peça enquanto existe movimento relativo entre os componentes. Esse contato provoca deformação e cisalhamento do material, originando o cavaco. Durante esse processo surgem forças mecânicas, atrito e calor, exigindo que o material da ferramenta mantenha suas propriedades pelo maior tempo possível.

Composição do metal duro

O metal duro pertence ao grupo dos chamados carbonetos cimentados. Uma de suas composições mais conhecidas utiliza partículas de carboneto de tungstênio combinadas com um material metálico aglomerante, frequentemente à base de cobalto.

Durante o processo de fabricação, os componentes são preparados, compactados e submetidos à sinterização. Essa etapa permite formar uma estrutura com características adequadas para aplicações de corte.

Dependendo da classe e da aplicação pretendida, a composição pode apresentar outros constituintes. A proporção e o tamanho das partículas também podem ser ajustados para obter diferentes combinações entre dureza, resistência ao desgaste e tenacidade.

Essa possibilidade explica por que existem diversas classes de metal duro. Uma classe destinada a um corte contínuo em condições estáveis pode apresentar características diferentes de uma classe desenvolvida para enfrentar impactos ou interrupções frequentes.

De maneira geral, quanto maior a exigência de resistência ao desgaste, mais importante se torna preservar a dureza da ferramenta. Em operações sujeitas a impactos e vibrações, por outro lado, a capacidade de resistir ao lascamento também ganha importância.

Principais características

Uma característica relevante das Ferramentas de Metal Duro é a elevada dureza. Essa propriedade permite que a aresta mantenha sua capacidade de corte mesmo em aplicações nas quais materiais menos resistentes apresentariam desgaste mais rápido.

A resistência ao desgaste também favorece operações repetitivas, pois ajuda a manter a geometria da aresta durante um número maior de ciclos.

Outro ponto importante é o comportamento em temperaturas elevadas. Durante a usinagem, principalmente em velocidades de corte maiores, uma quantidade significativa de calor pode ser gerada na região de contato entre ferramenta, peça e cavaco.

O metal duro consegue preservar suas propriedades em condições térmicas superiores às suportadas por diversos materiais tradicionais utilizados na fabricação de ferramentas de corte. Isso possibilita trabalhar em faixas de velocidade que podem proporcionar maior produtividade, desde que respeitados os limites recomendados para a aplicação.

Entretanto, dureza elevada não significa resistência ilimitada. Choques, vibrações excessivas, montagens incorretas e parâmetros inadequados podem provocar lascamento ou quebra.

Metal duro integral e pastilhas intercambiáveis

As ferramentas podem utilizar metal duro de diferentes maneiras.

Nas ferramentas inteiriças, ou integrais, uma parte significativa do corpo responsável pelo corte é produzida em metal duro. Fresas e brocas inteiriças são exemplos encontrados em diversas operações.

Essa configuração pode ser interessante quando são necessários precisão, rigidez e acesso a regiões menores.

Outra possibilidade são os sistemas com pastilhas intercambiáveis. Nesse caso, um corpo ou porta-ferramenta recebe insertos de metal duro responsáveis pelo corte.

Quando uma aresta apresenta desgaste, a pastilha pode ser girada para utilizar outra aresta disponível ou substituída por uma nova, dependendo de sua geometria.

Esse conceito é amplamente aplicado em torneamento e fresamento, principalmente em processos industriais nos quais a rapidez de substituição e a padronização das ferramentas são relevantes.

A escolha entre ferramenta integral e pastilha intercambiável depende da operação, das dimensões, da máquina, do volume de produção e dos requisitos de precisão.


Quais fatores considerar na escolha de Ferramentas de Metal Duro?

Selecionar Ferramentas de Metal Duro exige analisar o processo como um conjunto. Material, geometria, máquina, fixação e parâmetros de corte precisam trabalhar de maneira compatível.

Uma ferramenta tecnicamente adequada para determinada aplicação pode apresentar resultados diferentes quando utilizada em outra máquina, em outro material ou sob condições de fixação menos rígidas.

Material que será usinado

O primeiro fator é identificar corretamente o material da peça.

Aços, aços inoxidáveis, ferros fundidos, alumínio, ligas não ferrosas, superligas resistentes ao calor e materiais endurecidos apresentam comportamentos distintos durante a formação do cavaco.

Essas diferenças modificam fatores como:

  • quantidade de calor gerada;

  • esforço aplicado à aresta;

  • tendência de aderência;

  • abrasividade;

  • formato e comprimento do cavaco;

  • velocidade com que ocorre o desgaste.

Por isso, os fabricantes normalmente organizam suas ferramentas e classes segundo grupos de aplicação.

Identificar corretamente o material permite restringir as opções e selecionar uma combinação mais adequada entre substrato, revestimento e geometria.

Tipo de operação

Também é necessário saber exatamente qual operação será executada.

No torneamento, por exemplo, a peça normalmente gira enquanto a ferramenta realiza movimentos de avanço. Já no fresamento, são as arestas da ferramenta que entram e saem do material repetidamente durante sua rotação.

Essa diferença interfere diretamente nas solicitações mecânicas da ferramenta.

Uma operação pode ser contínua, enquanto outra apresenta cortes interrompidos. Pode existir desbaste pesado, acabamento leve, abertura de canais ou produção de perfis complexos.

Entre as operações que devem ser consideradas estão torneamento, fresamento, furação, rosqueamento, mandrilamento e acabamento.

Mesmo dentro de uma única categoria, existem variações importantes. Um torneamento externo de desbaste possui exigências diferentes de um acabamento interno, por exemplo.

Condições da máquina

A máquina-ferramenta limita e influencia o desempenho do processo.

A potência disponível precisa ser compatível com a quantidade de material que será removida. Operações com maior profundidade de corte e avanço normalmente exigem maior capacidade de acionamento.

A rigidez também é determinante. Folgas, desgastes ou estruturas pouco rígidas podem favorecer vibrações.

Quando existem vibrações, a aresta recebe cargas variáveis, o acabamento pode piorar e o desgaste tende a se tornar irregular.

Também devem ser avaliados:

  • faixa de rotação;

  • capacidade de refrigeração;

  • condição do eixo-árvore;

  • precisão do posicionamento;

  • condição dos dispositivos de fixação.

A fixação da ferramenta precisa minimizar balanços excessivos. Quanto maior a distância entre a região de corte e o ponto de apoio, maior pode ser a tendência à deflexão e vibração.

Tipo de produção

A quantidade de peças produzidas influencia a estratégia de seleção.

Na produção unitária ou em pequenos lotes, pode ser interessante utilizar soluções versáteis que atendam diferentes operações sem exigir grande quantidade de ferramentas específicas.

Na produção seriada, a repetibilidade passa a ter maior importância. Nesse cenário, pequenas melhorias no tempo de ciclo podem gerar impacto significativo quando multiplicadas por centenas ou milhares de componentes.

Já em produções de grande volume, torna-se importante avaliar não apenas o preço unitário da ferramenta, mas indicadores como custo por peça, tempo de troca, previsibilidade da vida útil e estabilidade dimensional.

Por essa razão, escolher Ferramentas de Metal Duro não deve ser uma decisão isolada do planejamento do processo. Quanto melhor forem conhecidos o material, a máquina e a operação, maior será a possibilidade de selecionar uma ferramenta compatível com as necessidades reais da produção.


Como escolher Ferramentas de Metal Duro conforme o material da peça?

As Ferramentas de Metal Duro devem ser selecionadas considerando o comportamento do material que será removido. Cada grupo apresenta características que modificam a formação de cavacos, a temperatura e os mecanismos de desgaste.

Por esse motivo, conhecer somente a dureza nominal da peça não é suficiente. Composição, tratamento térmico, resistência mecânica e condição da superfície também podem alterar a usinabilidade.

Usinagem de aço

Os aços representam um grupo amplo de materiais e podem apresentar características bastante diferentes conforme composição e tratamento.

Durante a usinagem, muitos tipos de aço produzem cavacos contínuos. Dessa forma, o controle desses cavacos é importante para evitar que materiais longos interfiram na operação, atinjam a peça ou permaneçam acumulados na região de corte.

A geometria da ferramenta e o quebra-cavacos devem ser escolhidos considerando avanço e profundidade de corte.

Também é necessário observar a resistência mecânica do aço. Materiais de maior resistência podem elevar os esforços e a temperatura de usinagem.

A seleção da classe precisa equilibrar resistência ao desgaste e segurança da aresta. Em condições muito estáveis, pode ser possível priorizar uma classe capaz de trabalhar com maior resistência ao desgaste. Quando existem cortes interrompidos ou condições menos rígidas, uma solução com maior tenacidade pode ser necessária.

Usinagem de aço inoxidável

O aço inoxidável exige atenção devido a características como tendência ao encruamento, formação de cavacos resistentes e geração localizada de calor.

O encruamento ocorre quando o material sofre deformação e sua resistência aumenta na região trabalhada. Caso a ferramenta realize atrito excessivo sem efetivamente cortar, a camada superficial pode se tornar mais difícil de usinar.

Por isso, é importante utilizar arestas adequadas e evitar condições que façam a ferramenta permanecer apenas deslizando sobre a superfície.

O controle dos cavacos também merece atenção, especialmente porque cavacos longos podem dificultar operações automatizadas.

Parâmetros, geometria e refrigeração devem ser definidos de maneira compatível com o tipo específico de aço inoxidável.

Usinagem de ferro fundido

O ferro fundido apresenta comportamento diferente do aço. Dependendo de sua composição e microestrutura, pode possuir elevada abrasividade, favorecendo desgaste da aresta.

Existem diferentes tipos de ferro fundido, como cinzento, nodular e outras variações, cada um com características próprias.

O ferro fundido cinzento, por exemplo, tende a formar cavacos curtos, o que altera a necessidade de controle de cavacos em comparação com muitos aços.

Entretanto, partículas presentes na estrutura do material podem contribuir para desgaste abrasivo.

Por isso, a classe escolhida deve apresentar resistência compatível com as condições de contato.

Usinagem de alumínio e metais não ferrosos

O alumínio normalmente permite velocidades elevadas, mas pode apresentar tendência à aderência na aresta de corte.

Quando material da peça se acumula na ferramenta, a geometria efetiva da aresta é modificada. Isso pode prejudicar o acabamento e provocar variações dimensionais.

Ferramentas destinadas ao alumínio normalmente utilizam geometrias bastante afiadas e superfícies que favorecem o escoamento do cavaco.

A evacuação precisa ser eficiente, principalmente em canais e furos profundos, onde o acúmulo de cavacos pode aumentar esforços.

Além do alumínio, outros materiais não ferrosos também possuem particularidades próprias. Por isso, a composição da liga sempre deve ser conhecida antes de selecionar parâmetros.

Usinagem de materiais endurecidos e ligas especiais

Materiais endurecidos podem exigir ferramentas com elevada resistência ao desgaste e estabilidade térmica.

Conforme aumenta a dureza da peça, normalmente também aumenta a dificuldade para manter uma aresta estável durante a remoção do material.

Superligas resistentes ao calor apresentam outro desafio. Esses materiais são desenvolvidos justamente para manter suas propriedades em temperaturas elevadas, característica útil em seus componentes finais, mas que dificulta a usinagem.

A geração de calor tende a permanecer concentrada na região de corte, aumentando as exigências sobre ferramenta e revestimento.

Nessas situações, a escolha de Ferramentas de Metal Duro precisa ser realizada de forma especialmente criteriosa, considerando as orientações do fabricante para a classe e o material específico.


Como escolher a ferramenta conforme a operação de usinagem?

A aplicação das Ferramentas de Metal Duro muda conforme a operação executada. O formato da ferramenta, a orientação da aresta e os esforços envolvidos no corte precisam ser compatíveis com o processo.

Uma escolha correta começa pela definição do que precisa ser produzido: remoção intensa de material, abertura de um furo, geração de uma superfície plana, criação de um canal ou obtenção de acabamento dimensional.

Ferramentas para torneamento

No torneamento, a peça gira e a ferramenta normalmente realiza movimentos lineares de avanço.

É possível utilizar pastilhas intercambiáveis em porta-ferramentas específicos para diferentes operações.

No desbaste, o objetivo principal é remover uma quantidade maior de material. A ferramenta precisa suportar esforços superiores e apresentar uma aresta suficientemente resistente para trabalhar com maiores seções de cavaco.

No semiacabamento, procura-se equilibrar produtividade e qualidade da superfície.

No acabamento, a prioridade muda. Pequenas profundidades e avanços mais controlados podem ser utilizados para alcançar medidas e rugosidades definidas no projeto.

Também existem ferramentas específicas para abertura de canais, corte e rosqueamento. Nesses casos, a largura e a geometria da aresta são determinadas pela forma que precisa ser produzida.

Ferramentas para fresamento

No fresamento, uma ferramenta rotativa possui uma ou várias arestas responsáveis pela remoção do material.

Como as arestas entram e saem continuamente da peça, grande parte das operações apresenta corte interrompido. Isso exige resistência aos ciclos de carregamento que acontecem a cada entrada no material.

No fresamento frontal, a ferramenta é utilizada principalmente para produzir superfícies.

O fresamento de topo pode ser empregado em perfis, cavidades, bolsões, contornos e diversas outras operações.

Já as fresas destinadas a canais precisam oferecer geometria compatível com a largura, profundidade e trajetória necessárias.

Durante a seleção, deve-se avaliar diâmetro da ferramenta, número de dentes, largura do corte e balanço.

Uma ferramenta com balanço excessivo pode apresentar vibração e deflexão, afetando precisão e vida útil.

Ferramentas para furação

A furação apresenta desafios específicos porque a remoção ocorre dentro do próprio furo.

O diâmetro é uma das primeiras características a serem consideradas, mas não é a única.

Quanto maior a profundidade em relação ao diâmetro, mais importante se torna o controle da evacuação dos cavacos.

Caso o material removido permaneça preso nos canais da ferramenta, pode ocorrer aumento das forças, danos às paredes do furo e quebra.

A refrigeração também pode ser importante, principalmente em operações profundas. Algumas ferramentas possuem canais internos para direcionar o fluido até a região de corte.

Além disso, é necessário observar precisão dimensional, qualidade superficial e posicionamento exigidos no projeto.

Ferramentas para acabamento

No acabamento, remover grande quantidade de material deixa de ser o objetivo central.

O foco passa a ser obter dimensões, forma geométrica e rugosidade dentro das especificações.

Nessas operações, a geometria da aresta, o raio de ponta e a estabilidade do conjunto possuem influência significativa.

Uma aresta inadequada pode provocar marcas, rebarbas ou variações dimensionais.

A rigidez da fixação também é especialmente importante. Mesmo pequenas vibrações podem deixar marcas perceptíveis na superfície acabada.

Por isso, as Ferramentas de Metal Duro utilizadas em acabamento devem ser escolhidas considerando simultaneamente material, geometria, avanço e estabilidade da máquina.


Qual a importância da geometria da ferramenta de metal duro?

A geometria das Ferramentas de Metal Duro determina de que forma a aresta entra no material, como o cavaco é formado e quais forças serão geradas durante a usinagem.

Duas ferramentas fabricadas com classes semelhantes podem apresentar comportamentos bastante distintos se possuírem geometrias diferentes.

Por isso, avaliar somente o material da ferramenta não é suficiente.

Ângulos de corte

Os ângulos presentes na geometria influenciam diretamente a formação do cavaco.

Uma geometria mais positiva tende a proporcionar corte mais suave e reduzir determinadas forças, característica interessante em materiais que exigem arestas afiadas ou quando a máquina possui menor rigidez.

Entretanto, ao modificar os ângulos também se altera a quantidade de material disponível para sustentar a própria aresta. Por essa razão, condições mais severas podem exigir geometrias capazes de proporcionar maior resistência mecânica.

Não existe, portanto, um único ângulo adequado para todas as aplicações.

O projeto deve buscar equilíbrio entre facilidade de corte, resistência da aresta e controle do cavaco.

Formato da pastilha

Pastilhas intercambiáveis podem apresentar formatos redondos, quadrados, triangulares, rômbicos e outras configurações.

Cada formato oferece uma combinação diferente entre resistência, número de arestas aproveitáveis e acessibilidade.

Uma pastilha com formato que proporciona grande volume de material atrás da aresta pode apresentar boa resistência para operações pesadas.

Por outro lado, formatos com pontas menores podem permitir melhor acesso a perfis e regiões restritas.

A escolha também depende do ângulo necessário na peça.

Em operações de perfilamento, por exemplo, a ferramenta precisa conseguir acompanhar a trajetória sem que outras partes do inserto entrem em contato indesejado com a superfície.

Raio de ponta

O raio de ponta possui relação direta com a resistência da aresta e o acabamento.

Raios maiores normalmente oferecem maior suporte mecânico à região de corte. Entretanto, também podem aumentar determinadas forças radiais.

Se o conjunto máquina, peça e ferramenta não possuir rigidez adequada, essas forças podem favorecer vibração.

Raios menores reduzem algumas dessas solicitações e facilitam o acesso a detalhes, porém deixam a extremidade mais delicada.

O avanço também deve ser relacionado ao raio.

Uma combinação inadequada pode comprometer a rugosidade obtida mesmo quando a ferramenta ainda está em boas condições.

Quebra-cavacos

O controle do cavaco é uma função importante da geometria.

Quebra-cavacos são elementos presentes na superfície da pastilha que ajudam a direcionar, curvar e fragmentar o material removido.

Seu funcionamento depende de fatores como avanço, profundidade de corte e material.

Isso significa que um quebra-cavacos desenvolvido para desbaste pode não funcionar da mesma forma quando empregado com pequenas profundidades típicas de acabamento.

Cavacos muito longos podem se enrolar na peça, atingir a superfície usinada ou dificultar operações automatizadas.

Já um cavaco excessivamente fragmentado em determinadas condições também pode indicar parâmetros inadequados.

A combinação entre geometria e parâmetros precisa produzir cavacos controláveis e manter a estabilidade.

Ao selecionar Ferramentas de Metal Duro, portanto, é importante consultar a faixa de aplicação indicada para cada geometria e verificar sua compatibilidade com o avanço e a profundidade previstos no processo.


Classes e revestimentos: como escolher corretamente?

As Ferramentas de Metal Duro são disponibilizadas em diversas classes porque a combinação ideal de propriedades varia conforme material e condição de usinagem.

Além do substrato, muitas ferramentas recebem revestimentos destinados a melhorar seu comportamento diante de desgaste, atrito e temperatura.

Por isso, duas pastilhas com exatamente o mesmo formato podem apresentar aplicações diferentes quando fabricadas com classes distintas.

Classes de metal duro

A classe está relacionada à composição e às propriedades do substrato.

Uma ferramenta desenvolvida para condições estáveis pode priorizar resistência ao desgaste. Em uma operação interrompida, por outro lado, pode ser necessária maior tenacidade para suportar sucessivos impactos.

Existe uma relação que precisa ser equilibrada. Aumentar a resistência ao desgaste nem sempre significa aumentar a capacidade de suportar impactos.

É por isso que os catálogos técnicos normalmente apresentam faixas de aplicação diferentes para cada classe.

Também é comum organizar os materiais de peças em grupos de aplicação. Entre eles estão aços, aços inoxidáveis, ferros fundidos, materiais não ferrosos, superligas e materiais endurecidos.

Essa classificação facilita a seleção inicial, mas ainda é necessário considerar condições específicas da operação.

Ferramentas revestidas

O revestimento forma uma camada sobre o substrato de metal duro.

Sua função varia de acordo com a composição e o processo utilizado, podendo contribuir para aumentar resistência ao desgaste, reduzir interação entre cavaco e ferramenta e melhorar o comportamento térmico.

Existem diferentes tipos de revestimento usados na indústria. Sua seleção depende do material usinado e das condições de corte.

Alguns revestimentos são aplicados por processos conhecidos como CVD, enquanto outros utilizam técnicas PVD.

Esses processos produzem camadas com características distintas, razão pela qual um revestimento adequado para determinada operação pode não ser a melhor escolha em outra.

A espessura, aderência e composição das camadas também influenciam o comportamento final.

Ferramentas sem revestimento

Embora ferramentas revestidas sejam bastante utilizadas, versões sem revestimento continuam relevantes.

Geometrias extremamente afiadas, por exemplo, podem se beneficiar da ausência de uma camada adicional em determinadas aplicações.

Isso é particularmente importante em alguns materiais não ferrosos, nos quais é necessário reduzir forças e evitar aderência.

Ferramentas sem revestimento também podem ser utilizadas quando suas características oferecem vantagens específicas para o processo.

Portanto, não é correto considerar que uma ferramenta revestida será automaticamente superior em qualquer aplicação.

Como relacionar classe, material e operação

A escolha deve começar pelo material da peça e depois considerar a severidade da operação.

Cortes contínuos e máquinas rígidas normalmente apresentam condições mais previsíveis.

Já cortes interrompidos, superfícies com irregularidades ou montagens com menor rigidez aumentam as solicitações sobre a aresta.

Velocidade de corte também possui relação direta com a classe. Elevar a velocidade aumenta a produtividade potencial, mas normalmente aumenta a temperatura e pode acelerar determinados mecanismos de desgaste.

Avanço e profundidade, por sua vez, modificam a seção do cavaco e as forças.

É importante utilizar as faixas indicadas pelo fabricante como ponto de partida.

A seleção de Ferramentas de Metal Duro deve buscar uma combinação capaz de proporcionar estabilidade antes de tentar elevar agressivamente os parâmetros. Depois de obter um processo previsível, ajustes podem ser realizados de forma controlada.


Velocidade de corte, avanço e profundidade: como ajustar os parâmetros?

O desempenho das Ferramentas de Metal Duro depende tanto da escolha da ferramenta quanto dos parâmetros utilizados.

Mesmo uma classe corretamente selecionada pode apresentar desgaste acelerado quando trabalha fora de uma faixa adequada.

Os três parâmetros fundamentais são velocidade de corte, avanço e profundidade de corte.

Velocidade de corte

A velocidade de corte representa a velocidade relativa entre a aresta e a superfície usinada na região onde ocorre a remoção do material.

Ela possui forte influência sobre a temperatura.

Quando a velocidade aumenta, normalmente existe potencial para reduzir o tempo de ciclo. Entretanto, o aumento também eleva as solicitações térmicas.

Se a classe não for capaz de suportar essa condição, a vida útil pode diminuir significativamente.

Uma velocidade muito baixa também não é necessariamente ideal. Dependendo do material e da ferramenta, pode favorecer determinadas formas de aderência ou tornar a operação menos produtiva.

Por isso, a velocidade deve ser definida dentro das recomendações do fabricante e ajustada conforme a condição real observada.

Avanço

O avanço determina quanto a ferramenta progride durante o movimento de corte.

No torneamento, normalmente é relacionado ao deslocamento por rotação da peça. No fresamento, pode ser analisado em relação a cada dente da ferramenta.

O avanço influencia diretamente a espessura do cavaco e as forças geradas.

Quando aumentado, pode elevar a produtividade e a taxa de remoção de material, mas também aumenta o esforço sobre a aresta.

No acabamento, o avanço possui forte relação com a rugosidade geométrica.

Por isso, deve ser combinado ao raio de ponta e ao requisito superficial.

Avanços muito pequenos também precisam ser avaliados com cuidado. Se a espessura do material removido for insuficiente, pode ocorrer mais atrito do que corte efetivo.

Profundidade de corte

A profundidade determina a quantidade de material removida perpendicularmente à superfície em uma passagem.

Em desbaste, costuma ser utilizada para eliminar rapidamente o sobremetal disponível.

Quanto maior a profundidade, maior tende a ser a seção do cavaco e, consequentemente, o esforço necessário.

A capacidade da máquina, a rigidez da peça e a resistência da ferramenta precisam ser consideradas.

Quando a peça é delgada ou possui baixa rigidez, profundidades elevadas podem provocar deformações.

Parâmetros para desbaste e acabamento

As estratégias diferem de acordo com a finalidade da operação.

Operação Objetivo principal Característica
Desbaste Remover maior volume de material Maior esforço de corte
Semiacabamento Preparar a superfície para a etapa seguinte Equilíbrio entre remoção e qualidade
Acabamento Obter precisão e qualidade superficial Remoção mais controlada

No desbaste, normalmente existe interesse em elevar a taxa de remoção, desde que a potência da máquina e a resistência da ferramenta sejam suficientes.

No semiacabamento, o processo começa a preparar dimensões e superfícies para a etapa final.

No acabamento, torna-se fundamental controlar vibração, avanço e condição da aresta.

Os parâmetros não devem ser definidos isoladamente. Se a velocidade for elevada enquanto avanço e profundidade também são aumentados significativamente, a carga total sobre a ferramenta pode ultrapassar uma condição segura.

Por isso, alterações devem ser realizadas de maneira controlada.

As recomendações fornecidas pelos fabricantes de Ferramentas de Metal Duro oferecem um ponto de partida importante porque levam em consideração características da classe, geometria e material.

O comportamento real da máquina também precisa ser observado. Ruído, vibração, formato do cavaco, acabamento e padrão de desgaste fornecem informações importantes para avaliar se os parâmetros estão adequados.


Como identificar desgaste e aumentar a vida útil das Ferramentas de Metal Duro?

Monitorar as Ferramentas de Metal Duro durante a produção é importante para evitar que uma ferramenta continue trabalhando além de uma condição aceitável.

Toda ferramenta de corte apresenta desgaste. O objetivo de um processo bem ajustado não é eliminar completamente esse fenômeno, mas fazer com que ele ocorra de maneira previsível e controlada.

Principais tipos de desgaste

O desgaste de flanco aparece na região da ferramenta que fica em contato com a superfície recém-usinada.

Quando ocorre de maneira progressiva e uniforme, pode ser um dos padrões mais previsíveis.

Entretanto, quando se torna excessivo, pode provocar alterações dimensionais e perda de qualidade superficial.

O desgaste de cratera ocorre na região por onde o cavaco escoa. A combinação de temperatura, pressão e atrito contribui para a alteração gradual dessa superfície.

Também podem ocorrer lascamentos.

Nesse caso, pequenos fragmentos da aresta são removidos, geralmente devido a impactos, vibrações, condições instáveis ou falta de resistência adequada.

A quebra representa uma falha mais severa e pode causar perda imediata da ferramenta, além do risco de danificar peça e porta-ferramenta.

Existem ainda fenômenos relacionados a choque térmico e deformação da região de corte quando condições extremamente severas são aplicadas.

Principais causas

Velocidade excessiva pode acelerar mecanismos relacionados à temperatura e desgaste.

Avanço ou profundidade muito elevados podem aumentar os esforços além da capacidade da aresta.

Vibrações são outro problema frequente.

Elas podem surgir devido a balanço excessivo, fixação deficiente, peça pouco rígida, parâmetros inadequados ou características da própria máquina.

Quando a ferramenta oscila durante a operação, o contato deixa de ser uniforme. Isso favorece lascamentos e produz marcas na superfície.

A refrigeração também deve ser analisada conforme a operação.

Em algumas aplicações, o fluido ajuda a controlar temperatura, remover cavacos e reduzir atrito. Entretanto, sua aplicação precisa seguir a estratégia recomendada para a ferramenta e para o processo.

Quando substituir a ferramenta

Esperar a quebra para realizar a troca geralmente não é uma estratégia eficiente em produção controlada.

É preferível estabelecer um critério baseado em desgaste, quantidade de peças, tempo de corte ou qualidade obtida.

O momento adequado depende do processo.

Em uma operação de acabamento, pequenas alterações podem ser suficientes para comprometer uma tolerância. Já em um desbaste, determinada quantidade de desgaste pode ser aceitável por mais tempo.

O acompanhamento dimensional das peças fornece informações importantes.

Quando existe tendência progressiva de alteração das dimensões, pode ser necessário verificar a condição da aresta.

Mudanças no acabamento também são sinais relevantes.

Aumento de rugosidade, marcas, rebarbas e alteração no som do corte podem indicar que o processo precisa ser inspecionado.

Boas práticas para aumentar a durabilidade

O primeiro passo é utilizar a classe correta para material e operação.

Em seguida, a ferramenta precisa estar instalada adequadamente.

Assentos de pastilhas devem permanecer limpos e em boas condições. Pequenas partículas entre a pastilha e o alojamento podem impedir o posicionamento correto.

Parafusos e sistemas de fixação também precisam ser mantidos conforme especificações do fabricante.

O porta-ferramenta deve ser inspecionado periodicamente. Utilizar uma pastilha nova em um alojamento danificado pode comprometer rapidamente o resultado.

Outra prática importante é registrar informações.

Quantidade de peças produzidas, motivo da troca, padrão de desgaste e parâmetros utilizados ajudam a entender o comportamento das Ferramentas de Metal Duro.

Esses registros permitem comparar resultados e identificar se uma alteração realmente proporcionou melhoria.

O foco deve estar na estabilidade. Uma ferramenta que produz uma quantidade previsível de peças é frequentemente mais fácil de administrar do que outra que ocasionalmente dura muito, mas apresenta quebras inesperadas.


Conclusão

A escolha das Ferramentas de Metal Duro precisa considerar um conjunto de variáveis, e não apenas uma característica isolada da ferramenta.

Não existe uma única opção capaz de proporcionar o melhor desempenho em todos os materiais e operações. A ferramenta utilizada para desbastar aço pode exigir classe, geometria e parâmetros diferentes daqueles necessários para acabamento de alumínio, fresamento de ferro fundido ou usinagem de aço inoxidável.

O ponto inicial deve ser a identificação correta do material da peça. A partir disso, é possível selecionar uma classe desenvolvida para aquele grupo de aplicação e avaliar a geometria mais apropriada.

O tipo de operação também precisa ser considerado. Torneamento, fresamento, furação, canais e acabamento submetem a ferramenta a condições distintas.

Depois da seleção, velocidade de corte, avanço e profundidade precisam permanecer dentro de faixas adequadas para a ferramenta, o material e a máquina.

Outro fator decisivo é a estabilidade. Fixações rígidas, porta-ferramentas em boas condições, balanço controlado e máquinas corretamente mantidas contribuem para que a aresta trabalhe conforme previsto.

O acompanhamento do desgaste completa esse processo. Avaliar a condição das ferramentas permite identificar problemas antes que ocorram quebras, danos às peças ou redução significativa da qualidade.

Por isso, a escolha adequada deve combinar material da peça, operação, classe, revestimento, geometria, parâmetros e condições reais da máquina.

Quando essas variáveis são analisadas em conjunto, as Ferramentas de Metal Duro podem contribuir para melhorar a qualidade superficial, aumentar a estabilidade da usinagem, reduzir interrupções, aproveitar melhor cada aresta e elevar a produtividade do processo.

Antes de definir os parâmetros finais, é recomendável utilizar as orientações técnicas fornecidas pelo fabricante da ferramenta e ajustá-las de acordo com o comportamento observado durante a produção.

Perguntas frequentes

São ferramentas produzidas com carbonetos cimentados, desenvolvidas para apresentar elevada dureza e resistência ao desgaste durante a usinagem.

A escolha deve considerar o material da peça, tipo de operação, geometria, classe, revestimento e parâmetros de corte.

Sim. Existem classes e geometrias desenvolvidas especificamente para diferentes tipos e condições de usinagem de aço.
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